domingo, 12 de junho de 2011

Educação dialógica – uma reflexão sobre de Paulo Freire

By Socorro Braun

O pensamento dialógico foi retirado do livro Pedagogia do Oprimido escrito por Paulo Freire no período em que esteve exilado do Brasil, durante a Ditadura Militar, reflete o pensamento do autor sobre seu modo de ver e entender o mundo. No livro ele esboça caminhos sociais rumo a uma sociedade livre através da extinção da relação de opressão. Para Freire, só a libertação dos opressores, feita pela movimentação e conscientização dos oprimidos, poderia ser o elo propulsor para construir uma sociedade de iguais. Ele é um pensador comprometido com a vida: não pensa idéias, pensa a existência. (FREIRE, 1987, p.9)

Neste sentido, a educação aparece com o papel central para efetivar o seu pensamento, pois através de uma educação libertária, o oprimido poderia tomar consciência de sua situação e buscar sua liberdade bem como a de seu opressor. Para tanto, propõe que o educador conheça em profundidade cada comunidade que irá educar, a realidade e as palavras que são significativas para cada grupo de pessoas. Desta forma, as palavras que serão ensinadas na escrita e na leitura, são justamente as que fazem parte do seu cotidiano.

Assim, Freire acredita que ao conhecer a sua palavra e transformá-la em ação e posterior reflexão, o oprimido passaria de um estágio ingênuo para um estado consciente de sua situação social e tentaria suplantá-la. Dessa forma, na medida em que os homens se fazem na palavra, no trabalho e na ação-reflexão, o diálogo passa e ser a forma de fazer este encontro, mediatizados pelo mundo, como o caminho pelo qual os homens ganham significação.

A educação dialógica é um ato de coragem, comprometido com os homens. Um lugar de encontro, onde não há nem ignorantes nem sábios: há seres que, em comunhão, buscam saber mais (FREIRE, 1987 p.79). Para este autor somente através do diálogo acontece um pensar crítico, sem ele não há comunicação e sem esta não há educação. O diálogo começa na busca do conteúdo programático quando o educador se pergunta em torno do que vai dialogar e devolve aos educandos de forma organizada e sistematizada os elementos que eles entregaram de forma desestruturada (FREIRE, 1987 p.83).

Neste processo de dialogicidade, Freire (1987, p.94) aponta matrizes necessárias para conquistar ou chegar à práxis através do diálogo. São elas:

a. O amor ao mundo e aos homens como um ato de criação e recriação;

b. A humildade, como qualidade compatível com o diálogo;

c. A fé, como algo que se deve instaurar antes mesmo que o diálogo aconteça, pois o homem precisa ter fé no próprio homem. Não se trata aqui de um sentimento que fica no plano divinal, mas de um fundamento que creia no de criar e recriar, fazer e refazer, através da ação e reflexão;

d. A esperança, que se caracteriza pela espera de algo que se luta;

e. A confiança, como conseqüência óbvia do que se acredita enquanto se luta;

f. A criticidade, que percebe a realidade como conflituosa e inserida num contexto histórico que é dinâmico.

Neste contexto, para nos enquanto educadores da EAD, a maior lição que podemos retirar de Freire é a preocupação com o social e a busca de alternativas e propostas no sentido de pensar o homem como um ser inacabado através do comportamento de “aprender ensinando e o ensinar aprendendo”. O diálogo, em Freire, exige um pensar verdadeiro, um pensar crítico onde educador e educando sejam sujeitos do ato cognoscente, em contínua interação.

Referências bibliográficas

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 17.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
_______. Pedagogia do Oprimido. (1987). 17.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra. (O Mundo, hoje,v.21).

Um comentário:

  1. Socorro,

    Excelentes considerações! Geralmente, você coloca referências, o que permite ao leitor o aprofundamento do assunto em estudo.

    Abraços,
    Ana Keyla.

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