terça-feira, 7 de junho de 2011

Refletindo sobre nossas práticas a partir de Paulo Freire

Oi Pessoal,

O texto “Dialogicidade em práticas interativas da área de exatas” é uma publicação com os dados parciais da tese intitulada “Interações Contigentes em Ambientes Virtuais de Aprendizagem” defendida ano passado por Priscila Barros David.

Ela traduziu os 5 pilares de Paulo Freire: amor, humildade, esperança, fé nos homens e pensar crítico e categorizou em parâmetros identificadores do diálogo: afetividade, simetria discursiva, exercício da autonomia, valorização da autonomia e reflexividade crítica, respectivamente.

A questão central de nossa reflexão aqui é: Como identificar esses pilares em nossas práticas? Vamos lá.....

A afetividade pode ser encontrada no início, corpus e finalização da mensagem. Qdo identificamos uma saudação direta ou indireta, uma despedida ou o uso de linguagem informal, por exemplo. Quando encontramos alguma deixa conversacional da mensagem para que o outro venha e possa dialogar. Lembremos que dialogar não é só interagir, é continuar, é estabelecer pontes de afeto, pq para Freire diálogo é ter amor para com o outro, é respeitar num tom de humildade.

Afeto e Afetividade são palavras diferentes, mas tem relação. No ambiente presencial o afeto muitas vezes é percebido pelas respostas corporais (um abraço apertado, um beijo no rosto, etc...). A afetividade vai mais além e pode ou não ter essas demonstrações. Percebem onde quero chegar? J

No ambiente virtual, além dos indícios encontrados nas mensagens dos interlocutores, a afetividade pode ser visualizada por elementos paralinguísticos, como uso de emoticons, extensão de sinais de pontuação, por exemplo, o que dá um tom de abertura de um para o outro...

A simetria discursiva acontece qdo tutor e alunos preservam uma linguagem de igualdade, onde um não demonstra ser mais que o outro, qdo um não se coloca numa posição de superioridade para com o outro nem demonstra que sua mensagem é a única correta. Esse parâmetro demonstra que todos se respeitam e possuem uma relação de cordialidade. Nas palavras de Piaget não são relações coercitivas, mas abrem espaço para relações de cooperação (qdo um co-opera com o outro).

O exercício da autonomia é aplicado apenas às mensagens dos alunos. E visualizamos esse parâmetro quando nós, alunos, buscamos fontes extras, autores que não estão nas aulas para complementar as discussões. Qdo trazemos novos elementos para auxiliar nosso entendimento sobre o que está sendo discutido. Resumindo: qdo somos responsáveis por aquilo que desejamos (ou seja, nossa aprendizagem).

A valorização da autonomia é aplicado apenas às mensagens do tutor. Podemos observar essa valorização quando ele incentiva, levanta questões, dá sentido as colocações postadas (fazendo sua própria reflexão), quando desequilibra (no sentido Piagetiano) o pensamento do aluno.

E por fim, a reflexividade crítica, quando a mensagem demonstra reflexão do assunto e não repetição da ideia do autor do texto e/ou das aulas, tampouco da mensagem do colega. No artigo não diz que essa reflexividade pode ser dividida em inter, intrapessoal ou é inexistente (apenas na tese e no artigo "Sistema de Análise de Interações Contingentes aplicado a um Chat Pedagógico" estão claros). A reflexividade interpessoal é quando o interlocutor faz uma reflexão quanto às produções dos demais participantes. Já a reflexividade intrapessoal é quando o interlocutor emite uma elaboração pessoal sobre o objeto em discussão. E a inexistente é quando o interlocutor não realiza qualquer tipo de reflexão em sua mensagem (David, 2010).

Diante disto, pergunto: estamos caminhando nesse sentido?

Deixo a reflexão.....

Saudações Juninas!

Paula Patrícia

Um comentário:

  1. Paula Patrícia,

    Em seu comentário, você possibilita ao leitor um excelente entendimento do texto em questão, bem como você agrega a essa compreensão do texto seus conhecimentos provenientes de suas pesquisas e de outras leituras referentes ao assunto em estudo.

    Abraços,
    Ana Keyla.

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