Refletindo a Dialogicidade de Paulo Freire na EaD
Ao lermos o pensamento de Paulo Freire sobre a educação libertadora, ficamos emocionados, com a grandeza de seus pensamentos, principalmente, porque essa educação está pautada por cinco pilares: amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico.
O amor preconizado por Freire(1970) relaciona-se ao sentimento de “querer bem”, como uma atitude que dá sentido à prática educativa. O autor afirma que não há diálogo sem um amor ao mundo e aos homens.
Pensando no conceito de amor no contexto da EaD, podemos assinalar que no ensino a distância, as relações entre professor e aluno podem ser regadas pela afetividade, seja pela manifestação das palavras escritas na qual o professor pode expressar seus sentimos de valorização pelo aluno. Também os recursos paralinguísticos contribuem para manifestar as emoções no texto das mensagens.
Ao refletir sobre a humildade, percebemos que este pilar é essencial na educação dialógica, pois representa a aceitação do outro, a capacidade de ouvi-lo, e um respeito por suas ideias. Sob esse prisma, a humildade pode ser aplicada na EaD, uma vez que dialogar compreende o desenvolvimento da capacidade de compreender o outro e a si mesmo, buscando adentrar no âmago das necessidade afetivas e cognitivas dos alunos. A compreensão deve ser mútua, visando a construção de um saber coletivo. No contexto da EaD, a humildade pode ser assimilada, no processo de redefinição dos papéis de professores e alunos. A aprendizagem tem os alunos como o foco. Os educadores são parceiros, oferecendo suporte para o desenvolvimento dos conhecimentos.
Também, para Freire(2006), o diálogo está relacionado com a fé nos homens. Esta fé implica no seu poder de fazer e de refazer. De Criar e recriar. Nesse prisma, devemos acreditar no potencial dos alunos em EaD, uma vez que o homem dialógico dá sempre oportunidade de se posicionar criticamente, jamais impedindo a liberdade de expressão de seu interlocutor.
Na EaD, o professor deve assumir uma atitude de humildade, valorizando a autonomia dos estudantes, e sua forma de pensar, estimulando-os a se expressarem no espaço virtual. Por isso, o professor deve criar um ambiente no qual o estudante sinta-se em uma posição de igual. O professor envolve todos os participantes, considerando a heterogeneidade diversidade.
Passamos por uma experiência em EaD, no qual os alunos apresentavam perfis diferentes em relação a formação e maturidade intelectual. Nesta turma, havia alunos já com nível superior e pós-graduação, que se expressavam com domínio teórico; e alunos, jovens, que estavam cursando a primeira graduação. Percebemos que esta realidade estava gerando desconforto para os alunos que não tinha conhecimento, uma vez que as postagens dos alunos graduados tinham um elevado nível de conhecimentos. Durante o fórum, discutimos este aspecto, abordando para os alunos mais jovens que a aprendizagem no ambiente solar era coletiva, incentivando para que façam leituras e interagem. Com Base nesse diálogo, houve feedbacks dos alunos, que manifestaram que estavam sentindo-se confiantes para participarem.
Outro pilar da educação dialógica refere-se a esperança. Os seres humanos devem cultivar a esperança em si mesmo, no outro, na natureza, na sociedade. Para Feire(2006), o homem se encontra em permanente construção. O principio da esperança ressalta o poder de criação do aluno on-line, a compreensão de que todos se encontram em um processo de construção coletiva de saberes, podendo construir com o aprendizado do grupo.
Para Freire(2006), o pensar crítico é essencial para a educação dialógica. As pessoas envolvidas no diálogo devem refletir sobre a realidade que os cerca em uma atitude de não-conformidade. A pessoa consciente de sua condição presente, tornam-se aptos a utar contra o processo de desumanização, contribuindo para a transformação constante, tanto objetiva (do mundo) quanto subjetiva(de si próprio).
Aplicando o pensamento crítico na EaD, pode observar a importância das tecnologias de informação (TIC) para o processo do diálogo. Se o aluno é convidado a refletir sobre seu próprio processo de aprendizagem, ele está exercendo um pensar crítico. Ao desenvolver argumentos no ambiente on-line, o aluno de EaD desenvolve seu espírito crítico e uma atitude de não-conformidade com os conteúdos a ele apresentados. Reafirma-se que o diálogo é o caminho que aproxima professores e alunos em todos os contextos educacionais.
Lúcia,
ResponderExcluirVocê escreveu com muito afinco sobre a dialogicidade de Paulo Freire na EaD. Parabéns pela dedicação e pelo esforço!
Abraços,
Ana Keyla.