A avaliação é um momento difícil para o professor, assim como para o aluno, tento em vista que é através da avaliação que ambos conhecerão os “resultados” de seu empenho conjunto em proporcionar e alcançar o conhecimento.
De acordo com Libâneo (1991), a prática de avaliar, ao mesmo tempo que conflitiva, é essencial para o trabalho do docente. Devido a complexidade nela envolvida, a avaliação não pode ser definida como mera aplicação de provas/trabalhos para obtenção de notas, pois a mensuração daí resultante fornecerá apenas dados quantitativos, os quais não devem excluir uma análise qualitativa desse processo. Tal procedimento encontra-se claramente relacionado aos princípios da pedagogia freiriana - onde não é possível conceber o aluno como mero receptor de conhecimentos.
Deste modo, no que se refere à Educação a Distância, a prática dialógica deve estar pautada numa relação contínua entre aluno e professor, permitindo a abertura constante de canais de expressão e comunicação entre ambos - ao mesmo tempo em que estes canais servem para desconstruir a relação verticalizada da pedagogia tradicional e construir espaços de uma prática colaborativa e horizontal entre alunos e professores.
A avaliação deve ser entendida como algo essencialmente processual, principalmente quando se trata de pensá-la na modalidade a distância. Por esse motivo, não se pode restringir a avaliação a um momento, como se avaliar fosse o objetivo final da aprendizagem. Cabe observar que a avaliação deve ser contínua e permear todo o processo de elaboração de um determinado curso. Na EaD, o docente deve apropriar-se da noção de avaliação contínua, utilizando todos os recursos que a modalidade o permite, devendo a atividade avaliativa estar presente desde a elaboração dos objetivos, da estrutura e dos instrumentos que utilizará para avaliar.
Para Bloom (1988), a aprendizagem define-se em três grandes dimensões: cognitiva, afetiva e psicomotora. Pela aprendizagem ser assim caracterizada, ela não é algo passível de simples aferição, sendo a atividade de avaliar algo de extrema complexidade. De acordo com Bloom, é necessário formular de maneira clara os objetivos propostos aos alunos, a fim de que se possa “ligar” os objetivos à aprendizagem esperada. Somente mediante a definição desses objetivos e seu posterior alcance é que se pode partir para a possibilidade de aferir a efetividade da aprendizagem.
No que se refere à EaD, a concepção da proposta da avaliação como processo contínuo e mediador, coloca-se como uma noção mais apropriada, tendo em vista que esta possui sintonia com o contexto das novas tecnologias e diferentes modalidades de ensino. Ao mesmo tempo, tal concepção dota o processo de ensino-aprendizagem com os pilares ofertados pelo princípio freiriano de educação.
Aline Matos,
ResponderExcluirComo você mencionou, na EaD, a concepção
de avaliação como processo contínuo e mediador é mais apropriada, bem como essa concepção deve estar em sintonia com as concepções de Paulo Freire.
Abraços,
Ana Keyla.